Decerto é bastante comum que as pessoas relacionem os riscos ocupacionais apenas às atividades que possuem riscos explícitos de acidentes: trabalho em altura; contato com eletricidade; manuseio de máquinas; objetos cortantes; queimaduras e outros. Apesar de os riscos ocupacionais estarem mais visíveis nesses casos, a verdade é que eles também estão presentes em outros ambientes e atividades. Mas existem os riscos ocupacionais em temperaturas baixas.

Afinal neste texto vamos tratar especificamente dos locais frios. Afinal O trabalho em contato com temperaturas extremamente baixas também esconde uma série de perigos que devem receber uma atenção especial por parte do empregador, do empregado e da equipe de saúde e segurança do trabalho.

Setor Alimentício (Riscos ocupacionais em temperaturas baixas)

A grande maioria das atividades desenvolvidas em temperaturas baixas são demandas do setor alimentício. Isto é por conta da grande quantidade de alimentos perecíveis que necessitam de conservação em refrigeração ou até mesmo congelados. Por exemplo: frigoríficos, determinados setores de supermercados e açougues, setores de laticínios, caminhões e outros. Nesses ambientes, quando o alimento está refrigerado, o trabalhador é exposto a temperaturas que variam de 0 a 10ºC.

Todavia em ambientes de manuseio, como cortes de carnes e armazenamento de verduras, a temperatura pode passar um pouco acima dos 10ºC. Entretanto existem ainda os ambientes mais extremos como as câmaras frias para produtos congelados que possuem uma temperatura média de 20ºC negativos. Os túneis de congelamento podem chegar à temperatura de 70ºC negativos. O trabalhador inserido nesses ambientes está sujeito a alguns riscos ocupacionais.

Medidas para prevenir os riscos ocupacionais

Com a finalidade de preservar a saúde do trabalhador inserido neste ambiente, existem algumas práticas de prevenção contra doenças e lesões causadas pelo frio. Algumas dessas práticas são aplicadas de forma coletiva e outras são individuais, como a utilização dos EPIs, por exemplo. Antes de tudo, pensando coletivamente, é necessário que o local de trabalho seja planejado de forma a evitar que o colaborador permaneça parado por um longo período de tempo. É interessante também que o trabalhador possa desfrutar de um local externo para repouso, além de troca de roupas molhadas.

Os intervalos são assegurados pelo artigo 253 da consolidação das Leis do Trabalho – Decreto Lei 5452/43: “Para os empregados que trabalham no interior das câmaras frigoríficas e para os que movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, depois de 1 hora e 40 minutos de trabalho contínuo, será assegurado um período de 20 minutos de repouso, computado esse intervalo como de trabalho efetivo”.

Normas de Segurança

Com o intuito de manter a Segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e processamento de carnes e derivados a NR 36 traz regulamentações sobre as atividades frigoríficas. Sobretudo a norma exige que, em caso de atividades manuais em ambientes frios ou em contato com superfícies e produtos frios, sejam disponibilizados sistemas “para aquecimento das mãos próximo dos sanitários ou dos locais de fruição de pausas”. Quanto aos EPIs a NR36 enfatiza que eles devem oferecer proteção e conforto ao colaborador.

Primordialmente devem ser fornecidas, diariamente, meias limpas e higienizadas. As luvas devem ser trocadas de acordo com o desgaste por uso. É importante também que as luvas sejam impermeáveis para manter as mãos do colaborador sempre secas. “Nas atividades onde as mãos dos trabalhadores ficam totalmente molhadas e não seja possível a utilização de luvas em razão da geração de riscos adicionais, deve ser efetuado rodízio com outras tarefas”.

Luvas de Proteção (Riscos ocupacionais em temperaturas baixas)

As luvas utilizadas para proteger o trabalhador dos riscos ocupacionais em contato com o frio, devem ser anatômicas e extremamente confortáveis. Contudo o fornecimento e a higienização de toda a roupa utilizada como EPI é de responsabilidade do empregador. Cabe ao colaborador utilizá-las e conservá-las sempre de forma correta. Quais são os EPIs utilizados em ambientes como câmara fria e outros com temperaturas extremamente baixas?

Blusa e calça capazes de proteger todo o corpo. É importante criar camadas de roupa para isolar o frio. Quando o trabalhador tem contato com vento, as roupas devem ser confeccionadas em couro ou lã. É importante que a roupa seja impermeável e tenha sistema de controle de temperatura. As luvas de segurança já citadas anteriormente. É importante também a utilização de um capuz de segurança. Ele será responsável por proteger cabeça e pescoço do trabalhador.

EPI – calçado de proteção

Outro EPI de extrema importância é o calçado de proteção. Esses calçados devem proteger os pés contra o frio e a umidade. É importante que eles sejam confortáveis para que o colaborador execute bem suas tarefas e esteja protegido contra os riscos ocupacionais. Modelos fabricados em PVC impermeável, de fácil higienização, cano alto, forração interna e solado antiderrapante, são ideais para este tipo de atividade.

Conheça os principais riscos ocupacionais em temperaturas baixas

Mas você sabe quais são as doenças e principais riscos ocupacionais que acometem os trabalhadores que desempenham suas atividades em temperaturas extremamente baixas? Quando ocorre uma perda excessiva de calor a circulação sanguínea diminui. Se o corpo não está preparado para se expor a essas temperaturas, uma série de problemas podem ocorrer. Extremidades como mãos e pés são sempre os primeiros atingidos, por isso a importância de luvas e calçados EPIs.

Outras partes do corpo como o sistema respiratório e pele também se comprometem por conta do frio. A ocorrência de crises e reações alérgicas, específicas do frio, como a Urticária são bem comuns. A Ulceração, responsável por pequenas lesões na pele, palidez, dores e formação de bolhas, também é causada pela exposição ao frio excessivo. O Fenômeno de Raynaud é consequência da diminuição de circulação sanguínea nos dedos.

Fenômeno de Raynaud (Riscos ocupacionais em temperaturas baixas)

Nesse caso os membros ficam pálidos ou azulados, perdem a sensibilidade e o indivíduo tem a sensação de latejamento e ardência. O Fenômeno de Raynaud pode ser associado a doenças como artrite reumatoide. Extremidades do corpo como mãos, pés e face podem sofrer congelamento. Isso ocorre quando a área tem sua temperatura igual ou inferior a 0ºC. A diminuição da circulação, neste caso, causa vermelhidão e inchaço, podendo evoluir para dor intensa, infecção e, em casos mais graves, gangrena e a perda do membro afetado.

Outro risco ocupacional é o Frosbite, que ocorre quando há a formação de pequenos cristais de gelo na pele (epiderme e derme). A Perniose, conhecida popularmente como frieira, acontece após o congelamento. Algumas partes do corpo continuam doloridas e com queimaduras. O tratamento é complexo e duradouro. A Hipotermia é o mais grave de todos os riscos ocupacionais citados anteriormente. Quando o colaborador se expõe a temperaturas extremamente baixas por um um longo período, sem a correta proteção, o corpo perde a sensibilidade.

Se isso acontece a pessoa para de sentir frio, tem um grau elevado de fraqueza muscular e adormecimento que pode levar à morte. Outras características são dilatação da pupila e alucinações. A hipotermia deve ser tratada imediatamente. A vítima deve ser aquecida com cobertores, aquecedores e bebidas e transferida para um hospital.

#Indicca – Geração de Conteúdo

#botas de proteção #luvas de segurança #epi botas #epi luvas