Nos últimos anos tivemos várias crises no contexto mercadológico mundial que desafiaram mesmo o líder mais calmo e equilibrado emocionalmente. Em especial podemos citar a falência do centenário banco americano Lehmam Brother em 2008, a qual desencadeou uma crise com queda das bolsas de valores mundo afora, além de derrocada do PIB em vários países. Tal cenário provocou a injeção de recursos de trilhões de dólares na economia com o propósito de impedir que outras instituições também falissem, causando, de certo modo, um mal ainda maior na economia como um todo.

                Isso porque, naquela ocasião, muitas empresas desestruturadas financeiramente, acabaram, apesar do sacrificante investimento, falindo mesmo assim diante da brutal queda de consumo, associada inicialmente à redução na oferta de crédito, uma vez que tal liberação não chegou na mesma velocidade da necessidade das empresas, apesar do suporte dado por alguns governos.

                Se não bastasse tal crise, podemos dizer, generalizada, , vivemos em 2015 e 2016, desta vez aqui no Brasil, uma das piores recessões dos últimos cinquenta anos, culminando com um PIB negativo de -3,5% naqueles dois anos, provocando, mais uma vez,  o encerramento das atividades de mais de 200 mil empresas no período. Nos anos seguintes, de 2017 e 2018, com um crescimento pífio, muitas empresas entraram com pedidos de recuperação judicial e falência, culminando na geração de mais de 13 milhões de desempregados.

                Mais uma vez vivemos um cenário difícil. Dados divulgadas pela CNN, sobre levantamento do SEBRAE, informaram que mais de 600 mil micro e pequenas empresas encerraram suas atividades pelo efeito da pandemia Covid-19. Isso aconteceu principalmente por  falta de recursos financeiros ocasionado pelo fechamento do comércio, gerando mais de nove  milhões de desempregados, ampliando, assim, o problema social e resultando em severas incertezas para muitos cidadãos.

                Análise feita por especialistas em gestão  corporativa comprovaram que boa parte das empresas faliram devido a falhas em sua gestão administrativa e processual, reflexo de falta de preparação adequada para enfrentamento de crises, associada a ausência de equilíbrio emocional por parte de seus gestores que, diante de fatos relevantes, adotaram ações equivocadas, impensadas, elevando a estatística de empresas encerrando suas atividades.

                Tal contextualização é necessária para se compreender a importância de se investir na inteligência emocional na gestão de crises e como ela é a mola propulsora na geração de habilidades, a energia para o fortalecimento da serenidade. A serenidade é fundamentalmente útil para controlar impulsos na tomada de decisões. Sem uma análise crítica dos fatos é bem provável que as situações geradas sejam de  angústia e estresse, por isso tal serenidade é tão crucial para que a sabedoria em lidar com o obstáculo seja retomada, bem como o controle e o poder de conviver com fortes emoções, sem abandonar a autoconfiança e a assertividade em suas ações.

                Agora, enfrentamos uma crise sem precedentes, onde tudo é novo e o pragmatismo encontra barreiras com dificuldades em conseguir manter a estabilidade emocional, diante de um medo eminente da morte. Neste caso, com o excesso de conteúdo oriundo de fontes de informações diversas, seja pelos veículos de comunicação tradicionais (TV, jornais, revistas, rádios, etc), seja pelas novas plataformas digitais onde nem tudo é devidamente verificado (redes sociais como whatsapp e Facebook, por exemplo), é preciso encontrar um caminho para a automotivação. Sendo assim, cada indivíduo poderá buscar seu próprio caminho para controlar pensamentos negativos: um novo hobby, como cozinhar e dançar, uma leitura fora do contexto organizacional, ou um filme com roteiro divertido podem ser algumas opções.

                Saiba que, o controle da ansiedade e das irritações é benéfico tanto particularmente quanto no relacionamento social, uma vez que possibilita a ampliação  das relações humanas, visando garantir a prática da empatia, como forma de desenvolvermos os relacionamentos e o espírito colaborativo em um momento que exige de todos nós atenção, respeito e muita habilidade para encontrar a harmonia necessária. Por isso, acredito que é chegada hora dos gestores afastarem o espírito negativo, sentimento que não provoca o cuidar-se. Pelo contrário, ele acaba por gerar  instabilidade emocional, que pode prejudicar o autoconhecimento capaz de nos possibilitar lidar de modo adequado o momento que vivemos, demonstrando controle de suas ações, a fim de garantir satisfação a seus stakeholders, além de segurança mercadológica.

                Contudo, reafirmo que a palavra de ordem para o enfrentamento a qualquer crise é SERENIDADE. Serenidade para avaliar e decidir pela melhor opção existente no momento, serenidade para saber ouvir e liderar com eficiência e equilíbrio, para adotar ações assertivas e também para dar o melhor direcionamento com altivez em prol de soluções que venham frutificar harmonia e segurança para sua organização como um todo.

                Seja sereno em avaliar e tomar suas decisões, para conduzir sua organização para atravessar esta tempestade, porque a calmaria encontra-se a poucos metros à sua frente. E, sempre que possível, leve com ela  a paciência e o controle emocional de um monge. Tente fazer de sua sala a expressão de um local onde não há  estresse ou ansiedade, predicados nocivos na condução da tomada de decisões.

“Se existe uma certeza sobre a história da vida, é que sempre teremos de atravessar períodos de crise. Encare estes momentos com serenidade e efetividade.”  (Fonte: www.lindafrase.com.br)

Denilton J. Silva – Diretor da Focus Organização & Gestão Empresarial – Eirele